Meu primeiro show com a Canon 5D Mark IV - Sepultura em Indaiatuba

Esse ano eu voltei a trabalhar com o Sepultura e tem sido um grande flashback na parte de fotografia para mim. Foi fotografando o Sepultura informalmente que em 1999 eu descobri que fotografia viraria algo importante na minha vida.

 Sony Cyber-shot DSC-F1 

Sony Cyber-shot DSC-F1 

Comprei minha primeira Sony Cyber-shot nessa época, uma DSC-F1. Mas o sensor de INCRÍVEIS 0.3 megapixels deixava tudo muito precário e por isso acabei optando pelo filme, que na época ainda era algo bem comum.

Comecei com uma Pentax 1973 do meu pai e, como muita gente, aprendi tudo na tentativa e erro.

 A Pentax 1973 do meu pai

A Pentax 1973 do meu pai

Mais para frente, e também mais confiante com os resultados das fotos, resolvi comprar meu primeiro kit de verdade. Uma Canon EOS-1N e uma Sigma 24-105 ƒ2.8.
E foi com esse kit que comecei a fotografar de verdade. Tenho até hoje guardado caixas e caixas de negativos revelados. Na época eu revelava os filmes e pedia apenas a impressão de um index, para poder selecionar as boas com um conta fios e só então fazer as ampliações.
Então se o show tinha sido sábado, eu só teria as fotos prontas e ampliadas na minha mão 5 dias depois. É algo impensável hoje com as digitais.

 Canon EOS-1N - Sim, ela funciona e sim eu uso até hoje : )

Canon EOS-1N - Sim, ela funciona e sim eu uso até hoje : )

Fotografar shows não é uma tarefa fácil e não poder ver o resultado instantaneamente tornava o processo todo ainda mais difícil. Por conta disso adotei um processo um pouco nerd e metódico, mas que me ajudou muito na fase de aprendizado (e poder fotografar o Sepultura praticamente 2x todo final de semana, claro, também ajudou muito):
- Eu separava 2 filmes de 36 fotos para cada show e fazia 4 blocos de 18 fotos. Para cada bloco eu usava uma combinação de abertura/velocidade e anotava tudo.
- Depois de revelado, eu comparava os blocos de 18 fotos e batia com minhas anotações para saber qual tinha funcionado melhor em cada situação.
- No final de semana seguinte eu repetia o processo, e repetia os ajustes que tinha gostado dos resultados.

Algumas fotos da época em Fujifilm Superia 1600 (puxado para 3200):

Em dezembro de 2005 fui para NY acompanhar o Andreas Kisser em um show comemorativo dos 25 anos da Roadrunner Records. Era muita banda e muitos músicos a noite inteira, e filme não era uma opção muito inteligente ($). Foi então que comprei minha primeira DSLR, uma Canon EOS 350D. (Foi também a primeira vez que fui na B&H Photo como fotógrafo 😬).

Resultado bem mais ou menos, mas consegui registrar a noite e aprendi a trabalhar com uma DSLR na marra:

Resolvi contar tudo isso porque ontem eu fui com o Sepultura para Indaiatuba com minha câmera nova na mochila. Uma Canon 5D Mark IV, minha primeira full frame.

E eu me senti de volta à época do filme. Por dois motivos:
- Primeiro (ruim) porque eu tinha que parar e olhar para a câmera toda hora, botões em lugares diferentes, regulagens diferentes, compensar isso ou aquilo, testando TUDO com o brinquedo novo na mão. Eu já estava em modo automático nos shows do Sepultura há pelo menos 10 anos. E ontem quase pareceu que eu estava começando de novo.
- Segundo (bom) e mais importante: FULL FRAME ❤️. Desde que migrei para o digital eu tinha uma leve decepção de nunca mais chegar nos resultados que eu chegava com filme 35mm. E ontem finalmente eu cheguei. 

Fim : )

Resultados da noite: